quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O Nobel de Física de 2010...

...foi para Andre Geim e Konstantin Novoselov, do chamado "grupo de Manchester", por seu trabalho em grafeno. Por uma dessas coincidências incríveis, eu havia citado Geim e seu trabalho em um post anterior sobre o prêmio Ig-Nobel (até onde eu saiba, ele é o primeiro a ser honrado com os dois prêmios!).

Para quem não sabe, grafeno é um material formado por átomos de carbono em arranjo hexagonal plano (como uma "folha de favo de mel", vide figura). Até aí, nada demais: o grafite (sim, o do lápis e da lapiseira) é bem parecido, mas formado por várias dessas folhas "empilhadas".

O desafio era conseguir isolar as folhas de grafeno monocamada, ou seja, folhas com a espessura de um único átomo de carbono. Vários grupos competiam para desenvolver um método eficiente para produzir monocamadas de grafeno e o breakthrough veio com Geim e Novoselov: eles conseguiram grafeno monocamada de forma eficiente e barata, essencialmente usando fita adesiva (sim, durex comum) para separar as camadas de grafeno a partir de grafite (vide o artigo de 2004 na Science).

Do ponto de vista de aplicações, o grafeno tem várias propriedades interessantes, como uma facilidade em conduzir corrente elétrica e, ao mesmo tempo, ser um material flexível (vide, por exemplo, esse vídeo), embora dispositivos baseados em grafeno ainda estejam engatinhando devido a uma série de dificuldades técnicas.

Há também bastante espaço para pesquisa em novos fenômenos em Física básica: os elétrons em grafeno se comportam efetivamente como se fossem partículas "sem massa" (como neutrinos, por exemplo) para voltagens pequenas, próximo ao chamado "ponto de Dirac". Essas propriedades não usuais e as possibilidades de aparecerem coisas novas e diferentes atraem os Físicos "como abelhas no mel", o que gerou um boom de pesquisa em grafeno a partir do publicação do artigo de Geim e Novoselov em 2004, inclusive por grupos no Brasil (vide, por exemplo, um tutorial elaborado pelo Prof. Caio Lewenkopf (UFF)).

O que chama a atenção é que o Nobel para o grafeno veio bem rápido. A pesquisa em grafeno é um dos tópicos "quentes" em Física da matéria condensada e o grande "boom" se deu a partir de 2004, justamente com o trabalho do Geim e outros (como o grupo de Philip Kim na Universidade de Columbia). Acredito que o prêmio é merecido, embora exista o risco de uma "overexposição" do assunto.

Um comentário:

  1. Gostei do blog, meu caro Luis Gregório. Um grande abraço, Pablo.

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